quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

inocente 15

um desenho 
invento 
de palavras 
culpadas 
fracasso 
estampado 
na interface 
inculta da sociedade

lythrum hyssopifolia


inocente 14

a polidez 
feito giz 
etiqueta 
e aparato 
discutível 
é pobre 
superficial 
pequeno 
e que em nada 
altera 
o horror

inocente 13

as esferas 
inocentes são  
polidas 
e quem sabe 
a polidez 
é a origem 
de todas as virtudes 
fazendo pouco caso 
da moral 
e a moral 
da polidez 

inocente12

o boato 
foi que ela rouba 
sacrifica 
crianças 
e tem 
comunicação 
com forças 
sobrenaturais 
para o mal 
e o egoísmo

inocente 11

o ruído 
é sentido 
torcido 
e retorcido 
a cada vez 
que a esfera 
boato 
entra e cai 
em cada uma 
das aberturas 
da mesa


abstract amphiprioninae


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

abstract betta VII


abstract betta VI


abstract betta V


abstract betta IV


abstract betta III


abstract betta II


abstract betta 2015


inocente 10

a moral 
é como um 
taco que impele 
as bolas 
com seus valores 
é uma resposta 
pronta 
com tamanho 
peso 
e qualidade 
à cada inocente 
participante

inocente 09


por aqui 
a mesa 
revestida 
servida de bilhar 
é outra coisa 
e suas paredes 
tem furos
chamados de janelas
e o objetivo popular 
é matar 
usando
culpados
tacos

inocente 08

inocente 
como o objetivo 
em continuar 
jogando 
o boato 
impeliu 
a tragédia 
como se fossem bolas 
que se tocam 
e se espalham

inocente 07

poderia 
ser 
o jogo da carambola 
e mesa 
revestida de feltro 
verde
limitada 
por paredes 
e sem buracos 
mas foi um boato 
e justiçamento

inocente 06

foram duas 
crianças que ficaram 
sem ter 
o que comemorar 
este ano 
em morrinho 
e ficaram como quem 
não sabe jogar 
bilhar 
e o por que 
se mata

inocente 05

morrinho 
é boato 
trágico 
monte 
de pequena elevação 
que foi crescendo 
pequena colina 
feito onda 
monumento 
e engolindo 
inocente

inocente 04

morrinho 
em mesa 
de bilhar 
não existe 
é defeito 
no pano 
na pedra 
ou talvez 
o resultado 
de uma tacada 
desastrada

inocente03

foi em sua inocência 
com as esferas 
coloridas 
aprendendo 
o vocabulário 
o objetivo do jogo 
e a ouvir 
a instrução 
é assim que se mata...

inocente 02

foi 
ouvindo 
os suspiros 
gemidos 
e sussurros 
sem dar muita atenção 
aos que estavam 
observando 
e torcendo 
pelo acerto 
de sua coordenação 
e força 
motora à cada nova 
tacada 

inocente 01

foi 
como uma criança 
diante de uma mesa 
amadora de bilhar 
ele sem saber 
ou ter 
jogado 
uma única vez 
e cercado 
por olhares 
adultos...

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

EMILIA NA EMBALAGEM


EMILIA NA EMBALAGEM 07

sinto que realizei o seu último desejo
o que me faz sempre um sorriso nos lábios
eu nunca tive coragem de ir ao seu velório
e olhar para o seu corpo já morto
prefiro o guardar em minhas lembranças e cartas
foi o que combinamos
após a cremação peguei os seus restos
e o transformei no que sempre sonhou
que fosse misturado ao barro suas cinzas
e assim tomar a forma de um vaso nas mãos de um artista
e verdadeiro artesanato
o coloquei bem preso a uma árvore no parque
que serve hoje de abrigo as suas orquídeas
ou talvez até mesmo a um ninho de algum futuro ser de asas
e cada vez que ainda passo por ele meditando e caminhando
sei dentro do meu ser que apesar de tudo conseguimos vencer
às vezes sinto que não sou nada sem ele
mas logo acordo desta triste normalidade e lembro o que ele se tornou
sempre desejou estar longe do qualquer lugar fechado 
e ser lembrado como boas vibrações 

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

EMILIA NA EMBALAGEM


EMILIA NA EMBALAGEM 06

não
gostava
de ser
um chamariz
sentia-se
uma isca
um grão
cozido
perfurado
pelo metal
anzol
e sem saber
nadar
ser jogado
aos peixes
para alimento
e fazer flutuar
a farsa
condição
ao que é
normalidade
e começou
a viçar
mal estar
perturbações
que contaminavam
sua exuberância
sentia-se contaminado
por uma praga
um vírus
que se espalhava
e somente
conseguia ver
a epidemia
ao seu redor
lugares
que deu o nome
de perturbação
onde não pode
mais
calcular
coordenar
escrever
ou ler
perdeu
o sorriso
lisonjeado
honrado
ao ser
chamado
por mim
de Visco
o que guardo
é que antes de preferir
morrer
nos
separamos
prometemos
um ao outro
amor
cálido
e sempre manter
contato
mesmo que pálido
na dor

terça-feira, 25 de novembro de 2014

EMILIA NA EMBALAGEM 05

diagnósticos
como essas cartas
escritos
que guardo
comigo
memórias
que trago
e solto
no ar
como fumaça
de cigarro
ocupando
o todo
lugar
impregnando
o tecido
com seu odor
suicídio
de um amigo
que não aguentou
ser transformado
em objeto
de tortura
pelos mesmos
arames
que permitiam
a sua articulação
em seu corpo
e todo
o seu movimento
escrito
“não suporto
viver mais
com a felicidade
dos ignorantes
os que me observam
e se divertem
em suas ilhas
do não saber”

EMILIA NA EMBALAGEM 04

costurada
nesta
armadilha
amarela
onde
as perturbações
com suas pupilas
dilatadas estão
relacionadas
com substâncias
e critérios
ao pensar
os pensamentos
que já 
foram
pensados
diagnósticos
e que são 
ligeiros
moderados
ou graves

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

EMILIA NA EMBALAGEM 03

a cada
movimento
nesta
embalagem
normalidade
tento
escapar
e livrar
o meu
ser
humano
ao próprio
desespero
contido
e comprimido
em cápsulas
inventadas
como
medicamento
e
é impossível
passar
o resto
de meus dias
criando
um sentido
em minha vida
embalada
e exposta
em uma caixa
de primeiros socorros
vitrine
para consumidores
entrando
andando
empurrando
um carrinho de supermercado
pessoas
que não vieram
fazer compras
e sim
usar o carro
como andador
para não tropeçar
nos reflexos
dos espelhos
e imagens
de bem estar
efeito
colateral
e sentido
de interesse
para tudo
aquilo que fazemos
aqui dentro!

domingo, 23 de novembro de 2014

EMILIA NA EMBALAGEM 02

Viver
aqui é
disputar
espaço
com álcool
e a água oxigenada
é o não
se incomodar
com a tintura
para tratar
as bolhas
criadas
pelos calçados
uma busca
diária
ao meu desejo
semelhante
à colorida
tarja
em um
medicamento
escrita
bem legível
foi feliz para sempre
meio a delicadeza
dos cotonetes
o bem
realizado
rolo
de gazes
a fita
adesiva
sempre a unir
a mesma costura
que me faz existir
com agulha
e linhas
verdadeiras
obras de arte
vendidas
como objetos
e que alimentam
as culturais
indústrias
da felicidade
produzidos
para serem
mercadoria

EMILIA NA EMBALAGEM 01



passam
por mim
e fingem
não me ver
adormecida
ao som
de cantigas
e fugindo
a imitação
taxativa
dos possíveis
encontros
com as bulas
de tarjas
e cores
seguidas
pela moda 

esquecida
feito brinquedo
por criança crescida
passam por mim
e fingem
não me ver
mulher adulta
nesta caixa
que estou
e sou
embalada,
embrulhada,
adormecida
e guardada


nesta caixa
de farmácia
em que estou
sou mais uma
oferta perdida
entre os remédios  
com suas estatísticas
a proporcionar um corpo
amarelado,
impulsionado
e acelerado
em códigos
diagnósticos


sobrevivendo
aos devaneios
da interpretação
impondo
e decidindo
o que é normal
e o que é bem estar
e assim vou vivendo
cercada

por esses
acostumados
a repetir
respostas prontas
sem o desejo
em ouvir
os próprios
impulsos
químicos  
repetindo
uns aos outros
suas angustias 

que estou drogada
anestesiada
e fugindo
a realidade
construída
moldada
e bordada
em cores
que não aceitam
o que será que desejam de alguém que vive em uma farmácia?


Não passam de DSM oralistas!
Serotonina?
Dopamina?
Noradrenalina?

Como uma pessoa se torna quem ela é?

domingo, 2 de novembro de 2014

anônimito

sua
mão
foi
capaz
de
imprimir
diferentes
sensações
e
ao
usá
-las
de
diferentes
maneiras
o
que
pode
ter
ocorrido
foi
as
variações
de
inveja

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

anônimito

limpou
a
mente
e
as
emoções
começou
a
chorar
masturbando
-se
pensou
em
sentir
-se
melhor
com
seus
ossos
articulações
e
rins

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Pôster Fernando Arrabal O Arquiteto e o Imperador da Assíria

eles
contém
sem
motivos
contidos
violência
e
prontos
ao
inesperado
não
contém
pânico 
e
o
não
contido
medo
assim
são
eventualmente
martelo
e
bigorna 
em
conflitos
que
não
tem
razão
de

ser