sinto que realizei o seu último desejo
o que me faz sempre um sorriso nos lábios
eu nunca tive coragem de ir ao seu velório
e olhar para o seu corpo já morto
prefiro o guardar em minhas lembranças e cartas
foi o que combinamos
após a cremação peguei os seus restos
e o transformei no que sempre sonhou
que fosse misturado ao barro suas cinzas
e assim tomar a forma de um vaso nas mãos de um artista
e verdadeiro artesanato
o coloquei bem preso a uma árvore no parque
que serve hoje de abrigo as suas orquídeas
ou talvez até mesmo a um ninho de algum futuro ser de asas
e cada vez que ainda passo por ele meditando e caminhando
sei dentro do meu ser que apesar de tudo conseguimos vencer
às vezes sinto que não sou nada sem ele
mas logo acordo desta triste normalidade e lembro o que ele se
tornou
sempre desejou estar longe do qualquer lugar fechado
e ser lembrado como boas vibrações