sábado, 29 de novembro de 2014
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
EMILIA NA EMBALAGEM 07
sinto que realizei o seu último desejo
o que me faz sempre um sorriso nos lábios
eu nunca tive coragem de ir ao seu velório
e olhar para o seu corpo já morto
prefiro o guardar em minhas lembranças e cartas
foi o que combinamos
após a cremação peguei os seus restos
e o transformei no que sempre sonhou
que fosse misturado ao barro suas cinzas
e assim tomar a forma de um vaso nas mãos de um artista
e verdadeiro artesanato
o coloquei bem preso a uma árvore no parque
que serve hoje de abrigo as suas orquídeas
ou talvez até mesmo a um ninho de algum futuro ser de asas
e cada vez que ainda passo por ele meditando e caminhando
sei dentro do meu ser que apesar de tudo conseguimos vencer
às vezes sinto que não sou nada sem ele
mas logo acordo desta triste normalidade e lembro o que ele se
tornou
sempre desejou estar longe do qualquer lugar fechado
e ser lembrado como boas vibrações
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
EMILIA NA EMBALAGEM 06
não
gostava
de ser
um chamariz
sentia-se
uma isca
um grão
cozido
perfurado
pelo metal
anzol
e sem saber
nadar
ser jogado
aos peixes
para alimento
e fazer flutuar
a farsa
condição
ao que é
normalidade
e começou
a viçar
mal estar
perturbações
que contaminavam
sua exuberância
sentia-se contaminado
por uma praga
um vírus
que se espalhava
e somente
conseguia ver
a epidemia
ao seu redor
lugares
que deu o nome
de perturbação
onde não pode
mais
calcular
coordenar
escrever
ou ler
perdeu
o sorriso
lisonjeado
honrado
ao ser
chamado
por mim
de Visco
o que guardo
é que antes de preferir
morrer
nos
separamos
prometemos
um ao outro
amor
cálido
e sempre manter
contato
mesmo que pálido
na dor
na dor
terça-feira, 25 de novembro de 2014
EMILIA NA EMBALAGEM 05
diagnósticos
como essas cartas
escritos
que guardo
comigo
memórias
que trago
e solto
no ar
como fumaça
de cigarro
ocupando
o todo
lugar
impregnando
o tecido
com seu odor
suicídio
de um amigo
que não aguentou
ser transformado
em objeto
de tortura
pelos mesmos
arames
que permitiam
a sua articulação
em seu corpo
e todo
o seu movimento
escrito
“não suporto
viver mais
com a felicidade
dos ignorantes
os que me observam
e se divertem
em suas ilhas
do não saber”
EMILIA NA EMBALAGEM 04
costurada
nesta
armadilha
amarela
onde
as perturbações
com suas pupilas
dilatadas estão
relacionadas
com substâncias
e critérios
ao pensar
os pensamentos
que já
foram
pensados
diagnósticos
e que são
ligeiros
moderados
ou graves
ou graves
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
EMILIA NA EMBALAGEM 03
a cada
movimento
nesta
embalagem
normalidade
tento
escapar
e livrar
o meu
ser
humano
ao próprio
desespero
contido
e comprimido
em cápsulas
inventadas
como
medicamento
e
é impossível
passar
o resto
de meus dias
criando
um sentido
em minha vida
embalada
e exposta
em uma caixa
de primeiros socorros
vitrine
para consumidores
entrando
andando
empurrando
um carrinho de supermercado
pessoas
que não vieram
fazer compras
e sim
usar o carro
como andador
para não tropeçar
nos reflexos
dos espelhos
e imagens
de bem estar
efeito
colateral
e sentido
de interesse
para tudo
aquilo que fazemos
aqui dentro!
movimento
nesta
embalagem
normalidade
tento
escapar
e livrar
o meu
ser
humano
ao próprio
desespero
contido
e comprimido
em cápsulas
inventadas
como
medicamento
e
é impossível
passar
o resto
de meus dias
criando
um sentido
em minha vida
embalada
e exposta
em uma caixa
de primeiros socorros
vitrine
para consumidores
entrando
andando
empurrando
um carrinho de supermercado
pessoas
que não vieram
fazer compras
e sim
usar o carro
como andador
para não tropeçar
nos reflexos
dos espelhos
e imagens
de bem estar
efeito
colateral
e sentido
de interesse
para tudo
aquilo que fazemos
aqui dentro!
domingo, 23 de novembro de 2014
EMILIA NA EMBALAGEM 02
Viver
aqui é
disputar
espaço
com álcool
e a água oxigenada
é o não
se incomodar
com a tintura
para tratar
as bolhas
criadas
pelos calçados
uma busca
diária
ao meu desejo
semelhante
à colorida
tarja
em um
medicamento
escrita
bem legível
foi feliz para sempre
meio a delicadeza
dos cotonetes
o bem
realizado
rolo
de gazes
a fita
adesiva
sempre a unir
a mesma costura
que me faz existir
com agulha
e linhas
verdadeiras
obras de arte
vendidas
como objetos
e que alimentam
as culturais
indústrias
da felicidade
produzidos
para serem
mercadoria
EMILIA NA EMBALAGEM 01
passam
por mim
e fingem
não me ver
adormecida
ao som
de cantigas
e fugindo
a imitação
taxativa
dos possíveis
encontros
com as bulas
de tarjas
e cores
seguidas
pela moda
esquecida
feito brinquedo
por criança crescida
passam por mim
e fingem
não me ver
mulher adulta
nesta caixa
que estou
e sou
embalada,
embrulhada,
adormecida
e guardada
nesta caixa
de farmácia
em que estou
sou mais uma
oferta perdida
entre os remédios
com suas estatísticas
a proporcionar um corpo
amarelado,
impulsionado
e acelerado
em códigos
diagnósticos
sobrevivendo
aos devaneios
da interpretação
impondo
e decidindo
o que é normal
e o que é bem estar
e assim vou vivendo
cercada
por esses
acostumados
a repetir
respostas prontas
sem o desejo
em ouvir
os próprios
impulsos
químicos
repetindo
uns aos outros
suas angustias
que estou drogada
anestesiada
e fugindo
a realidade
construída
moldada
e bordada
em cores
que não aceitam
o que será que desejam de alguém que vive em uma farmácia?
Não passam de DSM oralistas!
Serotonina?
Dopamina?
Noradrenalina?
Como uma pessoa se torna quem ela é?
sábado, 22 de novembro de 2014
sábado, 15 de novembro de 2014
terça-feira, 4 de novembro de 2014
anônimito
ela
sabia
que
a
mão
em
concha
se
sentia
completamente
diferente
de
uma
mão
espalmada
e
entregava
o
seu
sucesso
com
um
bolso
suave
do
ar
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
domingo, 2 de novembro de 2014
anônimito
sua
mão
foi
capaz
de
imprimir
diferentes
sensações
e
ao
usá
-las
de
diferentes
maneiras
o
que
pode
ter
ocorrido
foi
as
variações
de
inveja
sábado, 1 de novembro de 2014
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