em meu ouvido
as pessoas morrem
derretidas
em um caldeirão
pelos pecados
dos outros
tenho um coração
de pedra
e algumas cartas
na manga
não se importava
com as palavras
sem querer
e orgulhosa
andava
pelo quarto
onde toda atmosfera
é permitida
entediada
olhava
pela janela
e viu
alguém
mijando num poste
e pensou
podia ser eu
andando pela rua
entrando
por portas
desconhecidas
subindo
cada degrau
dessas escadas
estado de ser
de cada qual
e suas músicas
de erudição
para dançar
através do vestido
vermelho
corredor de bater
a porta
sentada
em um sofá
como em uma brincadeira
de adivinha quem é
ela queria se embriagar
contando o tempo
que batia
em seu coração
mesmo
com o seu sono
interrompido
ela sonhava
acordada
e respirava
substância
secretada
reconhecida
por seu ser
animal
enquanto
se comunicava
com outros
a beira
do abismo
de seus sentidos




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